Vidas em português - Mostra de filmes africanos lusófonos, de 11 a 16/02/15

O CCBB Brasília promove pela primeira vez a “Vidas Em Português: Mostra de Filmes Africanos Lusófonos”, dedicadas a filmes de Moçambique, Guiné-Bissau e Angola. Realizada em parceria com a Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e com o apoio da Cinemathèque Afrique do Institut Français, a mostra traz ao público 9 filmes que traçam um panorama da filmografia africana lusófona.

Os laços entre o Brasil, Moçambique, Guiné-Bissau e Angola vão além da língua e herança portuguesa, mas também fomentam um intercâmbio cultural que reflete a identidade de cada país. Essa pluralidade é impressa com frescor pela cinematografia africana, através de filmes que mesclam problemas históricos às atualidades, como o feminismo.

Sobre o último percorre A Virgem Margarida, de Licínio Azevedo, que resgata um episódio da história moçambicana, quando prostitutas eram enviadas a reformatórios para serem reeducadas. Outro filme do diretor se junta à programação, O Grande Bazar sobre amizade e superação de personagens contrastantes.

Ainda na ficção, Sol de Carvalho e Flora Gomes partem do olhar de uma protagonista mulher para refletir sobre a condição da juventude em Moçambique, pelo O Jardim do Outro Homem¸ e em Guiné-Bissau, no musical Nha Fala. Outro diretor a abordar o lugar feminino é o moçambicano Mickey Fonseca em Mahla, sobre o impacto de uma gravidez em uma família desestruturada. Já Orlando Fortunato de Oliveira, assina o filme mais antigo da mostra, o clássico Comboio da Canhoca, de 1989, que expõe as cicatrizes do passado cruel de Angola.

Além disso, os documentários também ganham representatividade em um mergulho direto nos arquivos do passado de Moçambique, seja na independente de Kuxa Kanema: O Nascimento do Cinema, de Margarida Cardoso, que resgata o projeto de educação cinematográfica que existiu na época, ou a colonial de Hóspedes da Noite, também de Licínio Azevedo.

Por fim, o ator brasileiro Lázaro Ramos protagoniza o filme mais recente de Zezé Gamboa, O Grande Kilapy, concretizando o espírito da mostra comprovando que apesar das distâncias geográficas, como afirmou Fernando Pessoa, “minha pátria é a língua portuguesa”.

A exibição de todos os filmes é em DVD, com áudio original em português, exceto Nha Fala, versão original em crioulo e francês, legendado em português.

HÓSPEDES DA NOITE (Moçambique/França, 2007). De Licínio Azevedo. Documentário. 53’. Formato DVD. Versão original em português.
Na época colonial, o Grande Hotel, que ficava na cidade de Beira, era o maior de toda Moçambique: 350 quartos, suítes luxuosas, piscina olímpica... Atualmente o prédio, que está em ruínas, sem eletricidade ou água corrente, é habitado por 3.500 pessoas. Algumas delas moram lá há vinte anos. Além dos quartos, os salões, corredores, áreas de serviço e porão do hotel - onde sempre é noite - também servem como local de residência. Nenhum traço de tristeza ou piedade neste documentário esclarecedor.

* FIPA de Ouro - Festival Internacional de Programas Audiovisuais 2008 (França)

KUXA KANEMA: O NASCIMENTO DO CINEMA
(Moçambique/França/Portugal, 2003). De Margarida Cardoso. Documentário. 52’. Formato DVD. Versão original em português.
Há vinte anos, sob o impulso do General Samora, apareceu a esperança de um verdadeiro desenvolvimento na arte e na educação através do cinema, em Moçambique e até nos povoados os mais isolados. O filme reconstitui as etapas deste projeto hoje extinto. Com projeções e entrevistas, os poderes didáticos do cinema são aqui mais uma vez demonstrados.

O JARDIM DO OUTRO HOMEM
(Moçambique/França/Portugal, 2006). De Sol de Carvalho. Com Evaristo Abreu, Timóteo Maposse, Maria Amélia Pangane. Drama. 80’. Formato DVD. Versão original em português.
Para uma jovem que quer estudar medicina em Moçambique, os obstáculos vão muito além das distrações de seu namorado e sua família. Um momento de fraqueza ou um erro de julgamento pode lhe custar um lugar na universidade, uma perda irreparável em um país com tão poucas oportunidades para as mulheres. Sol de Carvalho dedica este filme à coragem das mulheres jovens que continuam a lutar contra todas as probabilidades, provando que educar uma menina não é um desperdício de tempo em uma terra onde percebe-se que "o envio de uma menina para a escola é como regar o jardim de um outro homem.”

* Indicado na categoria melhor filme – Festival Cineport 2007 (Brasil)

VIRGEM MARGARIDA
(Moçambique/França/Portugal, 2012). De Licínio Azevedo. Com Ermelinda Cimela, Sumeia Maculuva, Victor Gonçalves. Drama. 90’. Formato DVD. Versão original em português.
1975, Moçambique. A revolução limpa as ruas, tirando as prostitutas e os bordéis da capital. As mulheres são levadas para um campo de reeducação em uma região no norte do país. Margarida, uma jovem camponesa, é enviada por engano para o local, onde precisará enfrentar diversas adversidades.

* Prêmio de Melhor Filme - Festival de Amiens 2012 (França)

O GRANDE BAZAR
(Moçambique/França, 2006). De Licínio Azevedo. Com Manuel Adamo, Chico Antonio, Bento Castigo. Drama. 55’. Formato DVD. Versão original em português.
Dois garotos com experiências e objetivos diferentes se encontram em um grande mercado africano. Um procura um emprego, para recuperar o que foi roubado dele e poder voltar para casa. O outro fará qualquer coisa para não ter que voltar para sua família. Eles se tornam amigos e juntos reinventam o mundo.

* Melhor Curta Metragem e Prêmio do Público - Festival Cinémas d’Afrique de Angers 2007 (França)
* FIPA de Prata - Festival Internacional de Programas Audiovisuais 2006 (França)
* Melhor Curta Metragem - Durban International Film Festival 2006 (África do Sul)
* Melhor Filme de Ficção - Cineport 2006 (Brasil)

NHA FALA
(Guiné-Bissau/Portugal/França/Luxemburgo, 2002). De Flora Gomes. Fatou N’Diaye, Jean-Christophe Dollé, Ângelo Torres. Musical. 85’. Formato DVD. Versão original em francês e crioulo com legendas em português.
Em Cabo Verde, todos os acontecimentos que regem a vida social viram música. Mas na família da jovem Vita, uma lenda promete a morte a quem tentar. Na França, onde Vita estuda, ela encontra Pierre, músico, por quem se apaixona. Ela canta e Pierre descobre a beleza de sua voz, convencendo-a a gravar um disco que se torna sucesso. Mas Vita desafiou a tradição, e decide então voltar à casa para confessar à sua família e receber o castigo.

*Prêmio Signis e Prêmio d’Amiens Métropole - Festival de Amiens 2002 (França)

COMBOIO DA CANHOCA
(Angola, 1989). De Orlando Fortunato de Oliveira. Com Enoque Caracol, Cristina Cavalinhos, Filipe Crawford. Drama. 90’. Formato DVD. Versão original em português.
Alguns angolanos detidos pelas autoridades coloniais portuguesas na província de Malanje seguem em uma precária viagem de trem no comboio da PIDE (polícia política portuguesa). Porém, a carruagem em que seguiam desprende-se acidentalmente sem que ninguém percebesse. Durante cinco dias, os homens encarcerados são esquecidos no meio do mato e lutam pela sobrevivência enfrentando mortes e acusações de traição entre eles.

MAHLA
(Moçambique, 2002). De Mickey Fonseca. Com Azagaia Edson da Luz, Mário Mabjala, Edna Jaire. Drama. 30’. Formato DVD. Versão original em português.
Ermelinda, uma enfermeira que trabalha no Hospital Central de Maputo, descobre que está grávida e decide abandonar seu abusivo e alcoólatra marido Jerry. No ônibus a caminho de casa, para buscar seu outro filho Nelito, algo acontece que colocará sua decisão e humanidade em questão.

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O GRANDE KILAPY
(Portugal/Brasil/Angola, 2012). De Zezé Gamboa. Com Lázaro Ramos, Pedro Hossi, João Lagarto. Comedia dramática. 100´. Formato DVD. Versão original em português.

Joãozinho é um jovem angolano, descendente de uma rica família do período colonial. Este rapaz mestiço quer apenas viver a vida, saindo com mulheres, se divertindo com os amigos e gastando seu dinheiro. Embora seja alto executivo do Banco Nacional Angolano, ele desvia os fundos da própria instituição onde trabalha, distribuindo dinheiro aos colegas, militantes pela libertação de Angola. Joãozinho vai preso, mas quando sai da prisão, é acolhido pela sociedade como um herói local.

publié le 21/01/2015

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