Parceria com o Brasil na luta contra o vírus zika

JPEGYves Lévy, presidente da Aliança Nacional para as Ciências da Vida e a Saúde (Aviesan) reuniu os seus parceiros, dia 18 de fevereiro, na sede do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM), para um debate em torno das questões de investigação suscitadas pela emergência e propagação do vírus zika.

Estiveram presentes representantes dos ministérios franceses da Pesquisa, da Saúde e das Relações Exteriores, bem como da Agência Nacional francesa de Segurança dos Medicamentos e Produtos para a Saúde (ANSM), do Instituto de Vigilância Sanitária (InVS), e da Autoridade Francesa do Sangue (EFS).

Durante o encontro, pesquisadores de diferentes instituições, especialmente do INSERM, do Instituto Pasteur e do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) apresentaram o estado atual do conhecimento científico sobre o zika, um vírus emergente da classe dos arbovírus (que inclui os vírus da dengue e da febre amarela e o vírus West-Nile, em particular), conhecido desde 1946, atualmente presente em mais de 30 países localizados na América do Sul, América Central e Caraíbas e nos territórios franceses do continente americano, após ter sido detectado no Brasil em maio de 2015.

Os principais projetos de pesquisa já em curso nesses locais ou em vias de serem implementados foram apresentados e discutidos entre os vários especialistas presentes na reunião: epidemiologistas, entomologistas, infectologistas, virologistas e especialistas em ciências sociais e humanas.

"Com a experiência adquirida ao longo dos últimos surtos dos vírus chikungunya e ébola, a rede REACTing1 permite-nos uma vez mais demonstrar que a pesquisa francesa é capaz de responder rapidamente e de forma coordenada em caso de urgência", resumiu Yves Lévy, presidente da Aviesan e CEO do Inserm.

"O objetivo desda reunião foi reunir todas as forças da área de pesquisa da França, dos territórios franceses no continente americano e da Iha da Reunião para desenvolver muito rapidamente programas de investigação adequados, capazes de dar resposta às muitas questões levantadas pela epidemia de Zika”, especificou Jean-François Delfraissy, diretor do Instituto Temático Multiorgânico Imunologia, Inflamação, Infectologia e Microbiologia (I3M), acrescentando que “também esteve na ordem do dia o estudo das parcerias possíveis com o Brasil".

Entre as questões de investigação prioritárias incluem-se a relação entre a infeção por zika durante a gravidez e a ocorrência de microcefalia em recém-nascidos, o estudo do neurotropismo do zika, incluindo as suas eventuais consequências clínicas, a modelização do vírus e da sua configuração no espaço, os meios de controle do mosquito Aedes, vetor do vírus, e o respectivo comportamento e distribuição geográfica, bem como o desenvolvimento de testes de diagnóstico sensíveis e específicos para a infeção pelo vírus Zika.

Estudos clínicos em curso em Guadalupe, na Guiana Francesa e na Martinica:

- estudos de observação, lançados em janeiro deste ano, sobre as consequências da infecção pelo vírus zika durante a gravidez no decurso da epidemia. Eles devem permitir o acompanhamento e o monitoramento de 5.000 mulheres grávidas em Guadalupe, na Guiana Francesa e na Martinica, com o apoio do centro de investigação clínica do Inserm.

- extensão de um estudo de corte já existente sobre os arbovírus endêmicos e emergentes nas Antilhas e na Guiana Francesa em crianças e adultos afetados por infeções agudas ou assintomáticas, que vai permitir estudar melhor a história natural da doença e as relações entre o fenótipo clínico e alguns parâmetros imunovirológicos.

"Todas as equipes de pesquisa francesas reconhecidas internacionalmente, mobilizadas e coordenadas desde outubro de 2015 pela REACTing, estão agora prontas, juntamente com as melhores equipes europeias e em ligação com o Brasil e com os principais países afetados, para avançarmos mais rapidamente", esclareceu Yazdan Yazdanpanah.

A rede REACTing

O Instituto Temático Multiorgânico Imunologia, Inflamação, Infectologia e Microbiologia (I3M) implementou em junho de 2013 a rede REACTing (REsearch and ACTion targeting emerging infectious diseases) com o objetivo de:

- melhorar a preparação das estruturas de investigação nos períodos entre crises: governança, preparação de instrumentos de investigação, identificação de prioridades de pesquisa, captação de recursos e questões legais e éticas;

- financiar e implementar projetos de investigação em períodos de crise epidêmica: coordenação, prioridades estratégicas, auxílio metodológico e informação das autoridades e do público em geral.

Essa rede está organizada em torno de uma comissão orientadora composta por 15 especialistas em saúde humana e saúde animal e é apoiada por um comitê científico de oito membros e por centros metodológicas localizado no norte de França (F. Mentré, CHU Bichat) e no sul (A. Fontanet, Instituto Pasteur).

A REACTing não visa qualquer doença específica e pode intervir em quaisquer emergências infecciosas, nomeadamente zoonóticas. A sua área de ação é ampla, indo desde a pesquisa fundamental às ciências sociais e humanas, e privilegia uma abordagem transversal.

O dispositivo da REACTing permitiu, desde as primeiras notificações de casos, mobilizar as equipes francesas de investigação para as epidemias de chikungunya nas Caraíbas, e do ebola. Ele foi ainda reforçado, em outubro de 2014, por meio do estabelecimento de uma organização interministerial específica coordenada pelo professor Jean-François Delfraissy, a "task-force ebola", para orientar as ações contra o vírus de acordo com três objetivos principais: (i) controle e erradicação da epidemia; (ii) intervenção em outras urgências sanitárias não relacionadas com o ebola; (iii) preparação para crises futuras.

Para mais informações:

Yazdan Yazdanpanah
Coordenador da REACTing
Serviço de Doenças Infeciosas e Tropicais - Hospital Bichat - Polo de Doenças Infeciosas

Jean François Delfraissy
Aviesan
Diretor do Instituto Temático Multiorgânico Imunologia, Inflamação, Infeciologia e Microbiologia (I3M). "

Contato com a Imprensa
presse@aviesan.fr
Tel.: 01 44 23 60 73

1. - REACTing para REsearch and ACTion targeting emerging infectious disease. Cf. destaque da página seguinte

publié le 01/03/2016

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