Invasão de francesas em Las Vegas - Jornal Valor Econômico - 08/01/16

Por Gustavo Brigatto

Na área da maior feira de tecnologia do mundo (CES) dedicada às startups, o Eureka Park, o francês se tornou praticamente a língua oficial em 2016. Das 500 companhias que expõe novos produtos nessa área, mais de um terço vêm de lá. A França tem, neste ano, a segunda maior delegação internacional da CES, com um total de 200 empresas, atrás apenas da China.

Do ano passado para cá, o número de participantes cresceu 65%. O Brasil não tem nenhuma empresa expondo na CES, que termina no sábado.

Entre as novidades estão a câmera de mapeamento 3D Zed, o cinto Belty, da Emiota, que ajuda a monitorar a saúde do usuário, e o rádio relógio Sensorwake, que ao invés de música, acorda o dono com fragrâncias - imagine acordar toda manhã com cheiro de pão ou café fresco sem ter que, de fato preparar nenhum alimento.

A maior parte das empresas desenvolve e também monta seus produtos no país, usando componentes locais. A 10-vin - que faz uma máquina semelhante a uma Nespresso, mas com pequenas ampolas de vinho -, por exemplo, só usa um componente chinês.

O governo de François Hollande vem incentivando a criação de startups. Batizado de "La French Tech", o programa prevê recursos financeiros, isenção de impostos e um ambiente de negócios mais favorável para o desenvolvimento de companhias inovadoras. A iniciativa também se encaixa na tentativa dos países da União Europeia de reduzirem sua dependência com relação às tecnologias
desenvolvidas por empresas dos EUA.

Para Dominique Aminogram, cofundador da Mybiodybalance (criadora de um equipamento que analisa a saúde do corpo em alguns segundos), uma das iniciativas mais interessantes é o Jeune Enterprise Innovante, ou JEI, uma modalidade de registro específica para empresas com esse perfil. Nele, as empresas ficam oito anos sob um regime tributário diferenciado, ganhando fôlego para investir em pesquisa e desenvolvimento.

Para conseguir o registro, é preciso passar por um processo de triagem, onde as novatas apresentam seus principais objetivos. Todo ano, as empresas devem atualizar o governo sobre seus avanços. O JEI pode ser usado em conjunto com outro programa, o Crédit Impôt Recherche (CIR), que prevê um financiamento público de até 30% para projetos de pesquisa e desenvolvimento não superiores a € 105 milhões.

publié le 08/01/2016

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