Discurso na Universidade Federal do Amazonas - 26 de fevereiro de 2016

Magnífica Reitora,
Caros Professores,
Caros estudantes,

Senhora Reitora, quero agradecer pelo convite e por ter organizado este encontro com os estudantes. Para mim, é uma honra ser recebido na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) que pode intitular-se como a instituição de educação superior mais antiga do país.

Infelizmente, disponho de pouco tempo. Então farei uma rápida apresentação da cooperação entre o Brasil e a França nos campos científico, universitário e cultural, pensando que poderiam interessar a um público estudantil, mas também porque a cooperação franco-brasileira nestes três setores é, emblemática na excelência dos intercâmbios mantidos entre o Brasil e a França.

Depois, vocês podem ficar a vontade para fazer as perguntas que quiserem.

Ja é a terceira vez que sou embaixador, para mim, a cooperação franco-brasileira retira sua especificidade duma relação de admiração recíproca e de interesse mútuo.

Trata-se primeiramente de uma cooperação inscrita na história. Sem retroceder muito no tempo, me contentarei em citar três datas-chave :

- Mil oitocentos e dezesseis (1816), que marca a chegada ao Rio, a pedido do Príncipe Regente Dom João Sexto (VI), dos artistas da Missão Artística Francesa que irão encabeçar a criação da Academia Imperial de Belas Artes. Entre eles, é necessário dar destaque ao pintor Jean-Baptiste Debret que, quando voltou à França, publicou sua Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, obra ilustrada com uma centena de aquarelas, que possibilitou naquela epoca ao público francês e europeu descobrir o cotidiano da realidade brasileira, e que hoje e uma testimunha exceptionnal e quase unico do Rio de Janeiro do início do século dezenove.

- Mil oitocentos e setenta e cinco (1875), ano em que desembarca no Brasil Henri Gorceix, jovem discípulo de Pasteur, para fundar a Escola de Minas de Ouro Preto.

- Final dos anos mil novecentos e trinta (1930), quando nosso Ministério das Relações Exteriores envia para São Paulo diversos professores universitários franceses que participarão da criação dos departamentos nas áreas de ciências humanas e sociais da Universidade de São Paulo (USP) : entre eles, o historiador Fernand Braudel, o antropólogo Claude Lévi-Strauss e o sociólogo Roger Bastide.

O diálogo franco-brasileiro se insere numa longa tradição, mas, e isso sera o meu secundo punto, ele permanece muito actual

A cooperação franco-brasileira atual se apoia sobre uma vasta rede de estabelecimentos espalhados por todo o país :

- três (3) colégios franco-brasileiros em Brasília, Rio e São Paulo ;
- quarenta (40) Alianças Francesas, inclusive em Manaus, instrumento único a serviço da difusão da cultura Francesa ;
- três (3) representações de órgãos de pesquisa, implantadas no Brasil :
- O Centro Nacional da Pesquisa Científica (CNRS)
- O Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD)
- O Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD)

O IRD e o CIRAD estão em atividade no Amazonas há mais de trinta (30) anos. Suas pesquisas, orientadas para a biodiversidade terrestre e aquática, a agricultura sustentável, a preservação do meio ambiente, a floresta, a saúde humana e animal, são desenvolvidas essencialmente em parceria com laboratórios de pesquisa da UFAM ou da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Essas colaborações levaram à criação de laboratórios conjuntos com a UFAM, como o Observatório de Mudanças Ambientais (OCE) ou Hybam (« Hidrologia da Bacia Amazônica »).

Isso quer dizer que a França tem com o Brasil uma cooperação científica ativa e de alto nível. Em dois mil e quinze (2015), mais de mil e trezentos (1.300) pesquisadores franceses vieram em missão ao Brasil, muitos no Amazonas, e centenas de pesquisadores brasileiros foram para a França. Em dois mil e quinze (2015), com mais de mil e oitocentas (1.800) publicações conjuntas, a França permanece como segundo parceiro mundial do Brasil, atrás somente dos Estados Unidos.

Esta frutuosa cooperação científica se sustenta essencialmente em programas bilaterais de apoio à mobilidade de pesquisadores como, por exemplo, CAPES-COFECUB ou Guyamazon. Em trinta e seis (36) anos de funcionamento, o programa CAPES-COFECUB viabilizou a formação de mais de dois mil e quinhentos (2.500) doutores brasileiros na França, e centenas de doutorandos do Estado do Amazonas se formaram através deste programa.

O programa Guyamazon, lançado em dois mil e dez (2010), valoriza a cooperação transfronteiriça entre a Guiana Francesa e os Estados brasileiros do Amazonas, do Maranhão e do Amapá. Ele tem por objetivo favorecer e apoiar os projetos de pesquisa, formação e inovação, e já possibilitou a seleção de vinte e dois (22) projetos, entre os quais dez (10) envolvendo pesquisadores das universidades do Amazonas e mais particularmente a sua.

Vitalidade da mobilidade estudantil

Gostaria de salientar que a França forneceu o primeiro contingente de estudantes europeus ao Brasil, com quase mil (1.000) estudantes.

Com três mil e quatrocentos (3.400) vistos de estudante concedidos em dois mil e quinze (2015) a França é o terceiro país de destino de estudantes brasileiros, atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido. Mais de sessenta por cento (60%) destes estudantes estão na França no âmbito duma dos setecentos e trinta (730) parcerias acadêmicas que existem entre a França e o Brasil.

Entre os programas de mobilidade estudantil, citarei o Brafitec e o Brafagri. Eles possibilitam, respectivamente, a mais de setencentos (700) engenheiros trabalhando com tecnologia e cento e trinta (130) engenheiros agrônomos e veterinários completar sua formação acadêmica na França.

Alli tenho que fazer uma queixa : Até agora, poucos estudantes do Amazonas escolheram a França para realizar todo ou parte de seus estudos superiores, e isso se deve, sem dúvida, à falta de informações, porque a França e um pais lindo e bem barato para estudar…

A agência CampusFrance Brasil, encarregada da promoção dos estudos na França e localizada em São Paulo, organizará em breve ações no Amazonas para promover as vantagens que o nosso país oferece em matéria de recepção de estudantes estrangeiros. Ainda assim, a França recebeu duzentos e setenta e um mil (271.000) estudantes estrangeiros em dois mil e quinze (2015).

O campo cultural, constitui tambem um domínio onde existe uma verdadeira cumplicidade entre o Brasil e a França. A recepção reservada às exposições francesas, patrimoniais ou de arte contemporânea, é frequentemente entusiasta. Este ano esperemos uma exposicao de Picasso no rio e em Sao Paolo, e uma exposicao de post impresionista (em Sao Paolo) ?

De todas as grandes temporadas organizadas pelo Instituto Francês desde mil novecentos de oitenta e cinco (1985), o Ano do Brasil na França (em dois mil e cinco [2005]), foi a que fez mais sucesso.

Mais recentemente, podemos destacar, por exemplo, o enorme sucesso do Pavilhão Brasileiro no Salão do Livro de Paris em março de dois mil e quinze (2015) e um autor brasileiro Marcello Quintanilha acabou de ser premiado, em dois mil e dezesseis (2016), no Festival de quadrinhos de Angoulême.

Na música ou no cinema, os criadores se beneficiam de uma paixão recíproca é verdadeira.

Quanto às artes do espetáculo, as companhias francesas de dança, teatro, arte de rua ou circo, chegam ao terceiro lugar das programações depois do Brasil e da Argentina.

Além disso, os dois países compartilham valores comuns, como a importância da cultura como ponto de fusão de identidade e vetor de vínculo social, a defesa da diversidade cultural ou a preservação do patrimônio material e imaterial.

Em breve, nos gostamos do Brasil e da sua cultura, e temos a impresao que o Brasil nao tem nada contra a França como lo vimos com o exito da escola de Samba Vai Vai que escolhou a França como tema de seu defile emSao Paolo.

Ao me concentrar nesses três campos, tentei destacar a solidez e o dinamismo de nossa relação. Poderia, se tivesse tratado de nosso diálogo político ou de nossos intercâmbios econômicos, aplaudir do mesmo jeito a qualidade da parceria que o Brasil e a França mantêm.

Mas, deixarei isto para outra ocasião. Por hora, me coloco à disposição para responder às suas perguntas./.

publié le 01/03/2016

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