Discurso de François Hollande na Cúpula do Clima

Senhoras e Senhores,

Acreditamos ainda ter tempo, mas agora, temos urgência.

A concentração do CO2 na atmosfera bateu novamente o recorde em 2013. As mudanças climáticas não são mais uma hipótese e sim uma certeza. O aquecimento global ameaça a paz e a segurança. A mudança climática provoca mais deslocamentos populacionais do que os causados pelas guerras.

Ações concretas deverão ser empreendidas para frear drasticamente as emissões mundiais de gases do efeito estufa, a fim de manter a temperatura média mundial abaixo de dois graus Celsius.

Todos têm conhecimento desses dados.

Devemos estabelecer metas de desenvolvimento para os próximos 30 anos, permitir o acesso aos bens às populações mundiais e, ao mesmo tempo, preservar o planeta.
Sabemos que se trata de um desafio importante. Temos todos, em nossa memória, o fracasso de Copenhague. Hoje, temos a obrigação de alcançar o sucesso. O principal objetivo da Conferência de Paris em 2015 será o de facilitar a obtenção de um acordo comum concreto, um acordo ambicioso que nos permita atingir o que chamamos de neutralidade em carbono. Ou seja, uma taxa de emissão de gases do efeito estufa que seja compatível com a capacidade de absorção do planeta.

Esse acordo demanda uma mobilização da comunidade internacional para que se chegue a uma decisão de caráter jurídico, que consista em uma regra comum a ser adaptada de acordo com os diferentes níveis de desenvolvimento.

A Presidência Francesa, após a Presidência Peruana – e cumprimento aqui o Presidente Humala. É muito importante que vençamos essa batalha e que estabeleçamos um acordo.

O parlamento francês estuda, atualmente, a lei de transição energética, que determina as economias que deverão ser feitas em matéria de energia até 2015, prevê a redução de emissões francesas em 40%, e propõe uma meta de 32% a ser atingida até 2030 no que diz respeito às energias renováveis.

A Europa também está fazendo a sua parte e apresentará um plano de metas por ocasião do Conselho Europeu no final do mês de outubro.

Mas gostaria de enfatizar aqui, a responsabilidade da França. Pois não devemos apenas dar o exemplo, não devemos apenas sediar essa Conferência, mas também ser capazes de demonstrar, através de gestos e ações, que estamos cumprindo com o que se espera de um país como a França.

É por isso que o “Fundo Verde” representa para nós uma perspectiva nova que nos convêm adotar amplamente. A França contribuirá com 1 bilhão de dólares nos próximos anos para a capitalização desse fundo.

O “Fundo Verde” ajudará os países a investirem na transição energética. O “Fundo Verde” representará uma grande oportunidade, para as empresas francesas, de alcançar a transição energética. Ele também será sinônimo de crescimento. Além de representar um ato de solidariedade, ela será símbolo da capacidade concedida à economia mundial para que esta possa se engajar em um novo modelo de desenvolvimento.

A França manifesta seu apoio total à aliança formada junto ao Secretário Geral das Nações Unidas, entre os Governos e o todos os agentes envolvidos: econômicos, sociais, a sociedade civil, os inúmeros manifestantes e a juventude mundial, que espera muito de nós, pois sabe que no que está sendo decidido aqui, ela será a primeira beneficiada.

Devemos constituir um leque de soluções que permita ter uma ideia concreta do acordo comum que será assinado, assim espero, em Paris.

Senhoras e Senhores, Chefes de Governo,

Juntamente com o Presidente Humala, assumimos nossas responsabilidades. Gostaríamos que na Conferência de Lima, as bases de um futuro acordo possam ser apresentadas e que em Paris, possamos transformar esses compromissos em atos jurídicos.

Se eu tivesse que resumir as minhas palavras, eu diria que se trata de uma batalha contra o tempo, não simplesmente contra o clima que poderia devastar o planeta. Não, o tempo está passando. Será que somos capazes de dominar o tempo? Será que somos capazes de dominar o espaço? Será que somos capazes de dominar a natureza? Será que somos capazes de dominar a nós mesmos?

Então, não permitamos que o tempo decida por nós. Sejamos capazes de encantar novamente o mundo, de trazer de volta a esperança de um mundo melhor à juventude mundial.

Paris é uma cidade símbolo, símbolo de liberdade, símbolo dos Direitos Humanos. Desejo que Paris, em dezembro de 2015, seja também símbolo de mudança para o clima.

publié le 17/10/2014

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