Coquetel “A França, junto ao Brasil, mobilizada contra o Zica " - Residência da Embaixada da França em Brasília, 01 de março de 2016

Senhor Ministro da Saúde,
Senhoras e Senhores Parlamentares,
Senhor Embaixador da União Europeia,
Senhoras e Senhores representantes de estados e municípios
Senhoras e Senhores representantes de instituições e organizações públicas e privadas de saúde e de pesquisa,
Senhoras e senhores.

É um grande prazer e uma honra receber os senhores esta noite, contando com a presença de dois dos nossos distintos Parlamentares, senhor Michel Vauzelle e Patrice Martin-Lalande, que nos fizeram a gentileza de vir a Brasília.

Em primeiro lugar, nosso encontro visa destacar a importância da criação da Frente Parlamentar de Luta Contra a Dengue e Arboviroses, prevista para amanhã de manhã. Iniciada pelo Senhor Deputado Odorico Monteiro, ao qual eu saúdo, essa frente reunirá mais de duzentos parlamentares de todos os partidos para lutar contra a dengue, o chikungunya e o Zika.

Em segundo lugar, eu gostaria de expressar às autoridades brasileiras a solidariedade da França nessa luta contra o Zika; uma luta que a França conheceu na Polinésia Francesa, onde mais de cinquenta mil pessoas foram infectadas em dois mil e quatorze.

O Brasil foi o primeiro, em outubro de dois mil e quinze, a alertar a comunidade internacional sobre os possíveis efeitos danosos desse vírus. Ainda pouco conhecido, o Zika pode afetar aquilo que mais nos toca: a saúde dos recém-nascidos. Além de possivelmente causar Guillain-Barré em adultos.

Mais de cinco mil e quinhentos casos suspeitos de microcefalia ou de lesões cerebrais severas em recém-nascidos já foram identificados. Esse número faz do Brasil o país mais atingido no mundo, dentro do continente mais exposto ao vírus.

Para avançar no conhecimento sobre essa doença – diagnóstico e tratamento – a rede de excelência se mobiliza: Evandro Chagas, Fiocruz, Butantan, USP e a rede Zika, além de outros. Nesse combate, recentemente reconhecido como emergência de saúde pública de escala internacional pela OMS, o Brasil demanda a colaboração internacional.

E é sobre isso que fala a minha terceira mensagem: eu posso garantir aos senhores a mobilização e a solidariedade da França, onde mais de nove mil casos de Zika foram registrados nos últimos dias nos departamentos da América. Na França metropolitana, também, setenta e três casos importados foram atestados, dentre eles os de cinco mulheres grávidas.

O Presidente, François Hollande destacou em visita à região o desafio dessa epidemia e a mobilização da França nessa luta. Assim como o Brasil, cuja mobilização foi saudada pela diretora da OMS, a estratégia desenvolvida pela França foca na prevenção, no reforço do controle feito pela população e na antecipação.

Senhoras e Senhores,

A mobilização dos profissionais de saúde e de pesquisa, pública e privada, cuja excelência é reconhecida, constitui a base da mobilização francesa contra o Zika. Com a recente experiência da crise do Ebola, a França organiza, hoje, uma rede global e coerente de pesquisa sobre o Zika. A Rede Reacting da Aliança Nacional para a Ciência da Vida e da Saúde (AVIESAN) articula as habilidades dos nossos organismos de pesquisa, em todas as áreas de conhecimento sobre o vírus: suas características, seus efeitos, seus modos de transmissão, seus determinantes, suas perspectivas terapêuticas. Uma gravação do professor Yves LEVY, diretor do INSERM e chefe da AVIESAN, apresentará essa rede.
Por fim, existe a perspectiva de desenvolvimento de uma vacina contra o vírus. Com a experiência adquirida com a produção da primeira vacina eficaz contra a dengue – dentro de alguns dias disponível no mercado brasileiro –, o laboratório francês SANOFIPASTEUR, presente a longa data no Brasil, trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra o Zica. Essa contribuição deve permitir multiplicar as possibilidades terapêuticas. Guillaume LEROY, Vice-Presidente do SANOFIPASTEUR, apresentará pessoalmente essa iniciativa.

Nesse contexto de urgência, que demanda solidariedade entre os nossos países, os contatos entre os pesquisadores se multiplicam. Nessa última semana, cinco pesquisadores do Pasteur estiveram no Rio e em São Paulo. O Pasteur organizará, nos dias vinte e cinco e vinte e seis de abril, uma grande conferência internacional, em Paris, sobre o Zika. O Brasil é calorosamente convidado.

Essa luta comum dos nossos dois países contra o Zika deve materializar-se no primeiro plano bienal de parceria franco-brasileira em saúde; considerando que nossas instituições de pesquisa e saúde já colaboram há bastante tempo: Pasteur, INSERM, CNRS, IRD, SANOFIPASTEUR, com Fiocruz, Butantan, USP, UFRJ.

Enfim, nossa parceria contra o Zika pode ser estendida e ampliada a outros parceiros, via demanda de projetos, de um montante inicial de dez milhões de € – mais de quarenta milhões de R$ – que a União Europeia anunciará no próximo dia quinze de março. A França se prepara [e eu saúdo o senhor João Cravinho, Embaixador da União Europeia, aqui presente].

Por fim, se os senhores me autorizam, eu concluirei esse discurso parafraseando a Presidente Dilma Rousseff: um mosquito não é mais forte que dois países unidos.
Eu agradeço aos senhores e deixo a palavra com Guillaume LEROY Vice-Presidente do SANOFIPASTEUR.

publié le 02/03/2016

haut de la page