Condecoração do Almirante Wagner Lopes de Moraes Zamith - 25 de fevereiro de 2016

Exmo Sr Almirante Zamith, Comandante do 9° DN e as demais autoridades presentes.

É para mim uma grande honra estar, hoje, no 9˚Distrito Naval, em Manaus, no coração da Amazônia ocidental. É também a primeira vez que eu viajo para esta cidade mítica e este primeiro dia foi excepcional, graças ao Senhor, prezado Almirante.

Faço questão de expressar-lhe minha mais sincera gratidão pela recepção que me foi proporcionada pela Marinha do Brasil, sem esquecer o Exército Brasileiro, ao longo deste dia de descobertas.

O encontro das águas, entre o Rio Solimões e o Rio Negro, permanecerá para sempre na minha memória, como testemunho da beleza e da extensão impressionante da natureza na Amazônia.

As visitas ao navio-hospitalar, ao Batalhão de Operações ribeirinhas dos Fuzileiros navais e ao CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva) do Exército brasileiro, me ajudaram de sobremaneira a tomar ciência do alto nível de profissionalismo e de quanto é fundamental o papel social desempenhado pelas Forças Armadas brasileiras como baluarte da presença eficaz e protetora da União, nos mais remotos lugares da Amazônia.

A Amazônia constitui um traço de união entre o Brasil e a França e são numerosos os intercâmbios entre as nossas Forças Armadas. O Centro de Instrução de Guerra na Selva, estabelecimento de ensino único e de fama internacional, recebe, há anos, militares das Forças Armadas da Guiana. Será o caso, em breve, com a chegada de dois Oficiais e três Subtenentes franceses. Esta cooperação é fundamental na capacitação para o combate na selva dos oficiais do Exército francês, destacados na Guiana.

Pode-se também observar que, em 2014, por iniciativa da Marinha do Brasil, dois militares franceses foram convidados a participarem do primeiro curso internacional de Operações Ribeirinhas, organizado, com primazia, pelo 9° Distrito Naval.

Almirante, a visita de hoje foi uma mostra do nível de excelência alcançado pelos marinheiros do 9˚ Distrito Naval que lhe são subordinados, só posso parabenizá-lo por isto.

Prezado Almirante Zamith,

É mais particularmente ao Senhor que a França quer prestar homenagem neste dia e, de acordo com a tradição, gostaria de lembrar, em poucas palavras, sua excepcional trajetória.

Ingressou no colégio naval em 1974 e na escola naval no ano de 1976. Com aperfeiçoamento na área eletrônica, trilhou uma carreira rica em embarques nas forças de superfície e comandou no mar por três vezes: o navio draga-minas Atalaia, o contratorpedeiro Pernambuco e o prestigioso navio-escola Brasil cuja vocação é formar guarda-marinhas brasileiros numa longa campanha.

Exerceu funções na comissão naval brasileira da Europa, na Direção Geral do Material, nas operações navais e comandou o Centro de Controle Naval do Tráfego marítimo.

Como Almirante, foi sucessivamente Subchefe « Organização » e Subchefe « Relações Internacionais e Estratégia » do Estado-Maior da Armada em Brasília.

Comandou a segunda divisão da esquadra no Rio e o componente marítimo da Força interina das Nações Unidas no Líbano, a FINUL, ao largo do Líbano. Foi em seguida Diretor do Departamento de “Catalogação” no Secretariado de Produtos de Defesa, o SEPROD, em Brasília, antes de assumir o Comando do 9˚ Distrito Naval de Manaus.

Em numerosas vezes, a França pôde apreciar seu alto nível de competência.

O Senhor foi o segundo Almirante brasileiro a comandar a Task Force marítima da FINUL, de fevereiro de 2012 a fevereiro de 2013, operação que foi a primeira participação do Brasil do componente marítimo de uma operação de paz. A bordo da fragata União e em seguida da fragata Liberal, o Senhor conduziu esta força naval encarregada de coibir a entrada ilegal de armas no Líbano e de adestrar as forças navais libanesas. O Comando da FINUL naval revelou suas grandes qualidades profissionais.

Vale a pena ressaltar que a única operação executada fora da missão específica da ONU, foi justamente com a fragata francesa Jean de Vienne.

Na qualidade de Almirante, responsável pelas Relações Internacionais, de 2009 a 2010, o Senhor alicerçou o estreitamento das relações entre as duas marinhas e foi um dos maiores protagonistas na gênese do programa de submarinos PROSUB, esta excepcional cooperação e este programa emblemático de parceria estratégica que une o Brasil à França.

Foi o primeiro representante da Marinha do Brasil na subcomissão naval bilateral, em seguida, foi o representante do Ministério da Defesa do Brasil quando da criação do Comitê Conjunto de Cooperação entre o Brasil e a França para o acompanhamento do programa submarino PROSUB.

Ao visitar a base de Itaguaí, neste último dia 28 de janeiro, eu pude constatar os avanços deste programa ultramoderno que inclui transferências de tecnologias de primeira importância tanto para a Marinha do Brasil quanto para as empresas brasileiras.

Através de suas funções no SEPROD, o Senhor foi também o artesão da organização do primeiro seminário Brasil-França das indústrias de Defesa, um dos mais importantes eventos realizado pelo Brasil com outro país. Ocorrido em 11 de março de 2015, em São Paulo, com a FIESP (a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e o GIFAS (o Grupo das Indústrias Francesas Aeronáuticas e Espaciais), este seminário foi saudado por todos como notável êxito de nossa parceria estratégica.

Suas estadas profissionais na França lhe permitiram construir uma rede sólida de relacionamentos, sendo reconhecido por seus homólogos franceses como um patriota, um interlocutor exigente, mas também um exímio profissional dedicado ao sucesso de nossos projetos comuns.

Pude igualmente apreciar, através das nossas conversas e de seu domínio do idioma francês, um francófono emérito além de um grande amigo da França.

Almirante,

Esta condecoração é o sinal do reconhecimento da França pelo impulso determinante que deu e por sua vontade sem falha em favor do estreitamento de nossas relações bilaterais.

publié le 01/03/2016

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