Café Científico sobre “O manejo do fogo e da biodiversidade nas áreas protegidas do Cerrado”

Segunda-feira, dia 5 de outubro às 19h00, aconteceu no restaurante Daniel Briand, o 25° Café Científico de Brasília. Este evento fez parte do ciclo de eventos científicos de divulgação científica "Caravana do clima no Brasil: rumo à COP21 em Paris!", realizado no âmbito da preparação da 21° reunião da Conferência das Partes na Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que acontecerá em Paris em dezembro de 2015.

O tema deste café foi "O manejo do fogo e da biodiversidade nas áreas protegidas do Cerrado”. O Cerrado é um bioma de tipo savana tropical presente ao redor de Brasilia no Distrito Federal (DF) e que é particularmente afetado pela questão do fogo. A varanda do restaurante acolheu um público numeroso, vindo experimentar os “petits-fours” franceses e ouvir as intervenções dos três especialistas no assunto:

- Ludivine Eloy –Doutorada em geografia pela Universidade de Paris III. Ela é vinculada com o CNRS e realiza atualmente pesquisas no Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB, sobre as interações entre práticas locais de uso do fogo para agropecuária e políticas ambientais no Cerrado.

- Isabel Schmidt - Doutorada em Botânica pela Universidade do Havaí. Foi Analista Ambiental do IBAMA. Atualmente é professora adjunta do Departamento de Ecologia da UnB e desenvolve pesquisas em Ecologia Aplicada à Conservação, especialmente relacionadas ao manejo de fogo no Cerrado.

- Carla Guaitanele - Analista Ambiental. Ela coordenou o programa “Agenda Ambiental na Administração Pública” no Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Hoje, ela atua no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade como chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

As três intervenções, partiram de um ponto de vista geral sobre a questão do manejo do fogo no mundo, com exemplos na França e na África do Sul em particular, para chegar ao caso específico do Cerrado no DF. Alguns preconceitos caíram. De fato, depois de anos querendo implementar uma política de "Fogo Zero", experimentos de incêndios de baixa intensidade e controlados foram realizados seguindo o conceito de mosaicos ou bandas, a fim de poder limitar o surgimento de mega-incêndios. Na Chapada dos Veadeiros, este novo tipo de política de manejo do fogo foi experimentado, após a ocorrência de um desses mega-incêndios em 2010, atingindo nada menos do que 68% do parque. No entanto, as novas políticas devem ser aplicadas em consulta com todas as partes envolvidas, tais como fazendeiros, pesquisadores, bombeiros e gestores de áreas protegidas, de forma a não conduzir a resultados ainda mais desastrosos.

Muitas perguntas da platéia seguiram, coordenadas pelo jornalista Adriano de Angelis, convidado a este evento como moderador.

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publié le 08/10/2015

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