COP21: A agenda positiva de Laurence Tubiana

Em finais de 2015, realizar-se-á no Bourget, próximo de Paris, a 21ª. Conferência sobre o Clima. Este evento importante, que reunirá delegados de todo o mundo, tem por objectivo alcançar um acordo crucial sobre o aquecimento climático. Chefiando a Conferência Paris 2015, Laurence Tubiana, nomeada Representante especial da França, é uma especialista mundialmente reconhecida em questões climáticas.

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Laurence Tubiana et le Ministre Laurent Fabius à Pékin en 2014
MAEDI/F. de la Mure

O gabinete de Laurence Tubiana está rodeado pelos dos seus colaboradores, destacados, provenientes de diversas administrações francesas: ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Economia e, claro, da Ecologia e do Desenvolvimento sustentável. A mobilização é importante e plural. A França deverá não somente assegurar o bom desenrolar da conferência e o acolhimento dos muitos delegados, como também facilitar a negociação entre os diferentes países parceiros para finalizar um acordo comum, ambicioso e vinculativo, que permita conter o aquecimento climático abaixo de 2°. Com efeito, por causa das actividades humanas desde a era industrial, a temperatura da terra aumenta muito mais depressa do que as capacidades de adaptação da natureza. As consequências são muito pesadas: os episódios meteorológicos violentos multiplicam-se, os ecossistemas e a biodiversidade estão ameaçados, os deslocalizados por razões climáticas não cessam de aumentar, sem contar os riscos económicos e financeiros que daí resultam.

Uma mulher com experiência

Laurence Tubiana conhece perfeitamente esta problemática que é, de facto, mundial e compreende também as hesitações dos países que, sem que para isso tenham de sacrificar o crescimento das suas sociedades, são chamados a ter de modificar as suas atitudes de funcionamento para atingir um objectivo global e imperioso. Doutorada em economia, esta investigadora rapidamente se apaixonou pela estreita relação que existe entre o desenvolvimento e as ciências económicas. Muito empenhada no meio associativo, a sua experiência no terreno e as suas imensas interacções com os actores das sociedades civis de todo o mundo levam-na a observar as regras comerciais sob um ângulo mais global que observa os impactos sociais e ambientais. Laurence Tubiana aprende, também, através do seu percurso a trabalhar em rede e a enriquecer com opiniões diferentes da sua. Depois de, nomeadamente, ter fundado uma revista, Le Courrier de la Planète, torna-se conselheira para as questões ambientais do Primeiro-Ministro Lionel Jospin. Nessa altura, cria o seu próprio instituto, o IDDRI, Institut du développement durable et des relations internationales e, paralelamente, dedica-se ao ensino no Institut de Sciences Politiques de Paris.

Abertura aos outros e às suas ideias, colocação em rede e transmissão, são as palavras-chave que orientam o percurso de Laurence Tubiana. No seu gabinete bastante sóbrio, com tonalidades alaranjadas, onde brilhamluminosas reproduções do pintor austríaco Gustav Klimt, Laurence Tubiana confessa ter a impressão de não fazer no seu dia-a-dia coisas excepcionais para o ambiente e inquieta-se por sobrecarregar o balanço de carbono quando viaja de avião para as diferentes missões fora de Paris. Embora a França esteja empenhada com a exemplaridade na luta pelo clima, a Representante especial reconhece que, neste momento “não somos os melhores da Europa mas o debate sobre a lei Energias apresentado ao Parlamento francês no Outono de 2014 marcou. A protecção do ambiente e o desenvolvimento sustentável já não são questões reservadas aos partidos ecologistas; dizem respeito a todos os actores, seja qual for a sua sensibilidade política”. A partir de agora essa protecção diz respeito a todos os cidadãos.

Uma agenda positiva

Com efeito, a agenda de Laurence Tubiana é claramente positiva: se lutar contra a desregulação climática é indispensável a médio e longo prazo para todo o planeta, os mecanismos implementados podem ser benéficos a curto prazo, e podem até ser uma oportunidade em tempo de crise económica. Por exemplo, a renovação energética dos edifícios favorece as economias de energia. Esta primeira vantagem ecológica gera outras, económicas por sua vez: para realizar estes trabalhos criam-se empregos não deslocalizáveis. A transição energética pode, portanto, acompanhar uma competitividade acrescida; encoraja a inovação, favorece a criação de empregos duradouros e preserva a saúde pública. Estas vantagens colaterais múltiplas sobre o crescimento, o emprego e a qualidade de vida são desejadas por todos os países.

É sobre estes pontos de convergência que Laurence Tubiana aposta em que Paris 2015 chegue a um acordo nas melhores condições. Aliás, Laurence Tubiana está confiante. “A preocupação dos interesses dos países altera com a contribuição de conhecimentos sobre este assunto, explica. Medir as taxas de poluição, por exemplo, permitiu alertar os governos e as sociedades e incitar às mudanças. A informação é uma etapa importante, até primordial para a alteração climática. É um assunto apaixonante porque é um campo de observação e de compreensão recíproco que implementa, a nível mundial, e pouco a pouco, uma visão partilhada entre os países, uma visão de futuro baseada em valores comuns. É uma lição de humildade. Aprende-se assim a compreender os interesses culturais e simbólicos de cada um para responder a uma questão comum: qual será a vida de amanhã?”

Com as suas convicções e a sua experiência, Laurence Tubiana pretende facilitar as negociações com serenidade e responsabilidade. Se existe uma verdadeira urgência para o planeta e o bem-estar de todos, a economia verde pode ser uma fonte de crescimento e sobretudo uma solução perene.

Pascale Bernard

publié le 27/11/2015

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