A União Europeia investe 45 milhões de euros na pesquisa sobre Zika

Brasilia, 8 de novembro de 2016

Surgiram evidências de que o vírus Zika está muito provavelmente associado com um aumento significativo nas complicações neurológicas em adultos e, também, graves malformações cerebrais congênitas em crianças nascidas de mães infectadas durante a gravidez - uma condição conhecida como microcefalia. Mais de quarenta países, principalmente na América Latina, com o Brasil sendo o mais afetado, relataram casos autóctones de infecção pelo vírus Zika.

A União Europeia respondeu em 2015, iniciando uma série de consultas no âmbito da Rede Global de Pesquisa em Doenças Infecciosas (GloPID-R, em inglês) formada por grandes financiadores públicos e privados, a fim de prover uma estratégia de resposta rápida, além de coordenar as sinergias e esforços de pesquisa e de financiamento.

Assim, a União o Europeia disponibilizou 45 milhões de Euros (cerca de R$ 160 milhões) em 2016 para propostas que abordam hiatos na pesquisa sobre o vírus Zika no âmbito do Programa de Pesquisa e Inovação Horizonte 2020 da União Europeia.

Três projetos foram selecionados com participação de entidades europeias e vinte entidades da América Latina e Caribe, das quais doze são brasileiras: Associação Técnica-Científica Estudo Colaborativo Latinoamericano de Malformações Congénitas (ECLAMC); Fundação Bahiana de Infectologia; Fundação de Apoio a Universidade de São Paulo; Fundação Oswaldo Cruz; Fundação Universidade de Pernambuco; Hospital Geral Dr. César Cals; Instituto Butantan; Laboratório Nacional de Computação Científica; Irmandade da Santa Casa de Misericórdia De São Paulo; Universidade Federal de Goiás (UFG); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e Universidade de São Paulo (USP).

As abordagens dos três projetos selecionados são os seguintes:

- A ZIKAlliance trata três principais objetivos relacionados com o impacto do vírus Zika: a infecção durante a gravidez e efeitos a curto e médio prazo em recém-nascidos; história natural associada de infecção do vírus em seres humanos e seu meio ambiente; e construir a capacidade global para a pesquisa de resposta à futuras ameaças de epidemia na América Latina e Caribe.

- A iniciativa ZikaPLAN combina os pontos fortes de 25 parceiros na América Latina, América do Norte, África, Ásia, e vários centros na Europa para abordar as lacunas de pesquisas urgentes em Zika, identificando soluções de curto e longo prazo e construir uma capacidade de preparo e resposta sustentável na América Latina. Estudos clínicos serão conduzidos para refinar ainda mais os espectros e fatores de risco e complicações neurológicas associadas. A iniciativa também vai investigar o papel da transmissão sexual.

- O projeto ZIKAction propõe a criação de uma rede de pesquisa multidisciplinar em toda a América Latina, com foco na saúde materna e infantil para coordenar e implementar pesquisas urgentes contra o surto do vírus e estabelecer as bases para uma rede de pesquisa pronta para enfrentar futuras ameaças infecciosas graves nestas populações vulneráveis.

Esta específica colaboração científica ilustra a excelente parceria geral entre o Brasil e a União Europeia.

Outras iniciativas de pesquisa financiadas pela União Europeia também visam abordar o desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra a infecção e pesquisa sobre doenças infecciosas transmitidas por insetos.

Ainda no âmbito de colaboração na pesquisa relacionada ao Zika, o evento "América Latina e Caribe GloPID-R Zika Virus Research Workshop" coordenado por membros da aliança GloPID-R, será realizado na Universidade São Paulo (USP), entre 30 de novembro a 2 de dezembro de 2016. O principal objetivo do evento é unir autoridades na área de saúde da América Latina e Caribe para discutir o estado atual do surto Zika e a necessidade de pesquisa, bem como as lições aprendidas até o momento.

publié le 08/11/2016

haut de la page