27º Café Científico de Brasília

O último café científico de 2015 ocorreu na segunda-feira, 7 de dezembro, no restauranté francês Daniel Briand. Mais uma vez, o Cerrado estava no centro das discussões. Esse bioma particularmente rico em biodiversidade tem sofrido profundas mudanças relacionadas à conversão de sua vegetação em monoculturas, plantações florestais industriais e pastagens. Nesse contexto, diversos temas foram abordados, tal como as iniciatívas dos agronegócios, através de certificações privadas de desenvolvimento sustentável ou nas tímidas propostas sobre as possibilidades de valorização sustentável do agro-extrativismo de produtos do Cerrado (pequi, baru...).

Centenas de pessoas vieram assistir aos nossos três palestrantes:

Stéphane Guéneau (Cirad, UnB CDS, UFMA): É doutor em ciências ambientais (Agroparistech), pesquisador do Cirad, pesquisador associado ao Centro de desenvolvimento sustentável do CDS e professor visitante do Programa de Pós Graduação em ciências sociais (PPGCSoc) da UFMA (Universidade federal do Maranhão). Ele coordena o programa de pesquisa “Sociobiocerrado” (Socio-technical and institutional innovations for conservation and valorization of the Cerrado biome. Apoio: CAPES-Fundação Agropolis).

Janaina Deane de Abreu Sa Diniz (UnB FUP): É doutora em desenvolvimento sustentável (UnB), Professora Adjunta e Coordenadora do programa de Pós Graduação em Meio ambiente e desenvolvimento rural (PPG MADER) na UnB, Campus Planaltina. Ela coordena o projeto “Inovacerrado” (Inovações sociotécnicas e institucionais para conservação e valorização do bioma Cerrado, apoio MCTI/MAPA/CNPq).

Mônica Celeida Rabelo Nogueira (UnB FUP e CDS): É doutora em Antropologia Social (UnB) professora adjunta da UnB e coordenadora do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (MESPT), do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS).

Poliana Oliver participou desse evento como moderadora.

O resultado mostra que é difícil fazer relações com medidas já tomadas na Amazônia (ex. Açaï, reservas naturais...) que atraem toda a atenção tanto nacional, como internacional. Dificuldades ainda maiores são encontradas com as iniciativas relacionadas ao Cerrado, pois, o mesmo não se beneficía da mesma cobertura da mídia ou da política e é bem menos organizado em termos de cooperação com outros biomas similares, por exemplo, da África.

Porém, a titulo de comparação, enquanto 40% do bioma da Amazônia encontra-se sobre um regime de proteção, somente 8% do bioma do Cerrado dispõe desse mesmo regime. Assim, a valorização do Cerrado também ocorre pelo regime da certificação, mesmo que contraditorio. Se a mesma depende do interesse das empresas nos produtos, também permite garantir a qualidade dos produtos cultivados em uma agricultura sustentável e de torná-los conhecidos junto à população; permitindo assim a divulgação das práticas agro-extrativistas e das espécies menos conhecidas, tipicas do Cerrado.

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publié le 15/12/2015

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